Lugur

Pessoas têm relacionamentos engraçados com suas sombras. No cinema de horror, elas representam o desconhecido; pugilistas treinam nelas seus reflexos; palhaços e mímicos as usam para entreter crianças; povos antigos as viam como relógios solares... e mesmo assim poucos são os que entendem sua beleza singular.
 
Como extensão de seus próprios corpos e espíritos, como projeção de sua presença na vida, como contraste, como... eu.
 
Me indago se ela pensa nisso agora, enquanto corre. Sua respiração é ofegante; seu suor, salgado. Mas ela nem mesmo sabe direito de quê está fugindo. Eu sei.
 
Está fugindo de mim.
 
É noite, e persegui-la é fácil. Torno meu corpo em sombra. Me atiro de um bueiro a um carro, do carro a uma árvore, e desta última a um pequeno cartaz rasgado, que se levanta com o vento e projeta sua sombra num muro de pedra e limo.
 
Estamos lado a lado, em corrida incessante, mas estou cansado da brincadeira. Ela deveria ter pensado melhor antes de crer demais, denunciar demais, mandar matar demais em nome de Algo que nem mesmo é real. Agora restará apenas o horror.
 
“Pára”, ela diz a a si mesma ao chegar em casa. “Consegui”, e repete isso mais duas vezes, tentando acreditar. No fundo, ela sabe que estou lá também. Meu corpo se molda ao escuro, se estica, se mescla e, em questão de segundos, traz a noite densa para dentro de sua sala.
 
Eu sou a noite.
 
“Não!”, suplica. “Por favor, não!”, implora, quando vê a a negra e fria realidade de sua sala aumentar, ofuscando suas chances de fuga novamente. Tarde demais. Meu abraço a envolve e a leva a um lugar do qual não se volta.
“Onde estou?”, ela grita, chafurdando no lodaçal espesso e imaterial de Vulnav. “Por que você não fala comigo? Que lugar é este?”, seu corpo afundando mais rápido.
 
Olhando o horizonte desolado, vejo os verdadeiros senhores do Vale se aproximando. Grandes. Irrepreensíveis. Intransigentes. Uma massa disforme de almas que já habitou o mundo de lá. O mundo dela. Mas que só aqui, neste mundo de sombras, deu verdadeiro invólucro à natureza de seus espíritos.
 
É hora de ir, mas não sem antes dar a ela a resposta que tanto pediu.
 
“Você está agora em meu lar”, sussurro de sua própria sombra em seus ouvidos. “E os zeladores já vêm cuidar de você.”
 
Jaq Anffron – Lugur de Nova Shatab em Contos de Niir

Bela Lugosi is dead




Muita gente não se lembra, mas o advento da chamada gothic music (e olha que eu detesto “categorias” para as músicas) surgiu no final dos anos 70. Isso mesmo.
 
Enquanto o mundo ainda curtis as aberrações perpetradas por Tony Manero em Saturday Night Fever, e a onda punk dava seu primeiro tropeço como forma dominante de vanguarda musical após os terrores da segunda guerra, esse estilo surgia sem definição (o mais próximo foi “pós punk”) e se tornaria padrão dali em diante, durante muito tempo.
 
Ainda não havia Nightwish, Evanescence, Epica ou Type O Negative. O mundo se via em estado de melancolia e falta completa de perspectivas, tendo somente o suposto aguardo da guerra nuclear como presente no natal. E nessa época a música refletia exatamente esse quadro.
 
Entre centenas de grupos musicais que surgiram no período, alguns grandes como Joy Division, The Cure e Alien Sex Fiend, outros medonhos que nem vale a pena citar, o Bauhaus tomou para si o nome da escola de estética alemã,e trouxe um modo escuro e gotejante de se ouvir.
 
Então minha homenagem de hoje vai para essa banda e seu maior clássico: Bela Lugosi is dead. A música nunca teve um clipe oficial, então deixo este (que não tem a música inteira, pensa, mas ela é muito grande) que faz parte do filme The Hunger (fome de viver, no Brasil), estrelado por Catherine Deneuve e David Bowie.
 
Lamentada em andamento e triste em melodia, a música marcou a chegada de um estilo que nunca sairia totalmente do cenário musical. E o filme na qual figura é um conto igualmente triste e desprovido de esperança. Nele, vampiros decadentes e hedonistas lutam contra a fome, solidão e, principalmente, o encarceramento eterno depois que velhice os separasse do mundo.
 
Espero que gostem.

Conspirações

Como hoje é o aniversário do “ataque” terrorista às torres gêmeas, resolvi escrever esta postagem. Isso porque virou moda atualmente dizer que não somente esse crime, como outros, são somente conspirações governamentais (o próprio Charlie Sheen diz que foi tudo financiado pelo governo Bush).

Então, neste dia em que celebramos a paranoia de conspirações, deixo para vocês as piores já documentadas no mundo. Todas elas fruto de pesquisa na internet (embora não possa dizer que sejam confirmadas, afinal de contas são conspirações, certo?) e resultado de muitas risadas.


Espero que gostem.


Um meteorologista em Idaho afirmou e tentou mover uma ação pública, denunciando que gangsteres japoneses, conhecidos como Yakuza, causaram o furacão Katrina. Scott. Stevens, estadunidense, quem diria, disse isso depois de olhar fotos de satélite da NASA do furacão, onde se convenceu de que foi provocado por geradores eletromagnéticos de transmissores terrestres de micro ondas, todos ativados ao mesmo tempo pelos perversos japoneses. Banzai!


Um escocês afirmou que máquinas ATM (bancos 24 horas) têm anões dentro deles, para conferir pessoalmente a entrada/saída de dinheiro. E as somas mal debitadas e/ou debitadas incorretamente de contas de usuários eram causadas por anões criminosos que, tendo acesso às contas e senhas por verem “o que o usuários faz por dentro da máquina”, roubavam dinheiro para a máfia. Claro, são esses que financiam as fábricas de Wally Wonka.


Um cidadão de Taiwan também tentou mover um processo público, mas desta vez contra as comunidades homossexuais de seu país. Ele afirmava que gangues de gays vagavam à noite por banheiros públicos, tentando infectar privadas com o vírus da AIDS para que, quando pessoas incautas as usassem, contraíssem o vírus. Eita criatura homofóbica, não?


Estamos novamente na América do Norte. Alma Sinclair, de 43 anos e moradora do deserto do Mojave, ficou por três anos consecutivos trancada dentro de casa. Ela fazia ligações diárias ou quase para a polícia, FBI e rádios locais, dizendo que queriam invadir sua casa. Por que? Simplesmente porque “pessoas do deserto” se escondiam na areia durante o dia, e à noite tentavam invadir seu banheiro onde, pasmem, teriam descoberto um silo abandonado e enterrado de armas nucleares. Sensacional!


Na Islândia, Henry Wallach escreveu uma tese (publicada em jornais) na qual Elvis estaria ainda vivo. Nada de estranho, essa teoria de conspiração já é antiga. Mas o problema é que Henry dizia que Elvis se escondia da vista de todos, e se mantinha sempre jovem, recortando a pele do rosto de crianças para fazer máscaras mais novas para sua cara. É isso aí, o importante é se manter sempre jovem.


Uma cidadã de Campo Grande, em Minas Gerais, tentou denunciar seu marido e filhos por serem monstros, que colocavam cogumelos em seu feijão de maneira a deixá-la louca! Então é assim que a invasão alienígena começará na Terra. Ah, esses velhos hippies...


Orwen Dutchill, de uma cidade pequena na Austrália, perturbou durante 5 meses os órgãos públicos, afirmando que o país (sim, o país inteiro) estava incrustado num gigantesco aglomerado de esponjas marítimas, e que estas estavam começando a se mover! Tudo com o conhecimento do governo. Pra onde será que elas levariam a Austrália embora?


Estados unidos de novo. Vocês sabiam que o mundo na verdade não existe? Tudo é um infinito campo cinza, num opaco mundo vazio de ser. As imagens que temos, tudo o que sentimos, são ilusões projetadas para dentro de nossos cérebros através das pupilas, para que pensemos que o mundo existe como pensamos. O motivo é que mundo já foi destruído há tempos, mas emissores de realidade automatizados, deixados para trás depois que o último vestígio de civilização morreu, continuam a bombardear colônias humanas que nascem in vitro em campos cinza de concentração. Essa é a teoria de Adam Payton, de Indiana. Será que ele viu Matrix muitas vezes?


Ah, claro. O mundo existe segundo o aval de um comitê extraterrestre. Essa eu achei em tantos lugares que nem tenho como citar nomes.


Esta é pra terminar, e veio de perto de onde moro: guarda-chuvas podem um dia ganhar consciência e mobilidade, dobrar-se para dentro e arrancar nossas cabeças, num ato extremo de ataque conjunto durante as chuvas. Conheço de perto o autor dessa teoria, mas ele me pediu pra ocultar seu nome. Principalmente do hospício.

Schrodinger

Uma coisa maravilhosa a se saber é a forma em que o tempo flui. O tempo não é linear. Não tem começo, meio ou fim. Não, essas são medidas humanas. Ou, ao menos, humanas no tempo em que o tempo foi criado.
 
Mas o tempo é um animal selvagem. Ele segue em várias direções, e não pode ser detido senão pela entropia total. Mas a entropia daria origem a um novo anti-tempo, o que em si já seria tempo suficiente.
 
As mentes hoje em dia já pensam em tempo como algo pandimensional. Uma espécie de fractal, com suas dobras, desdobras e redobras fluindo em vários caminhos, e gerando em si caminhos outros que se subdividem novamente, nunca deixando de ter em si uma parte do todo ao qual pertencem. Realidades infinitas, todas coexistindo. Coisa suficiente para fundir a cuca de qualquer não gênio.
 
Mas como quadro, de forma geral, qualquer boçal como eu consegue mais ou menos fazer sua versão do sentido dessa porra toda.
 
O que nos leva a um boçal genial chamado Schrödinger.
 
O camarada desse nome simples (algo como Silva, suponho), criou uma parábola que cabe certinho nessa forma multidirecionada em que o tempo corre. Hermann Hesse e David Bohm também, mas isso é assunto pra outra data.
 
A parábola não é exatamente como vou descrevê-la aqui. Mas, também, foi criada para exemplificar a instabilidade ou possibilidade de átomos decaírem, e não é a essa vertente (a oficial, aliás) que me interessa nesta postagem.
 
Schrödinger propôs o seguinte: imagine que alguém te dá uma caixa, e diz que dentro da caixa há um gato e uma armadilha. A caixa está fechada, e tudo o que você sabe dela são as informações que o alguém te passou. Mas até você abrir a caixa, não sabe se o gato pisou na armadilha e morreu, ou se continua usando a língua pra manter as patas limpas. Duas hipóteses com igual chance de acontecer.
 
Então o problema é este: até você abrir a caixa, e descobrir o que aconteceu com o bichano, há dois gatos dentro dela. Um vivo. Um morto. Ambos com a mesma probabilidade de ocorrência. E é, no momento em que a caixa é aberta, então descoberto qual dos dois gatos está lá. Simples, não?
 
Mas o cascudo Schröe (passarei a chamá-lo assim, senão dá mais trabalho pra digitar) vai além. Quando abriu a caixa, você “escolheu” por uma das duas instâncias. Mas a outra, com igual chance, não simplesmente desapareceu. Ela se bifurcou, passou a seguir um caminho diferente no tempo. Caminho no qual o gato estava mortinho e já fedendo, se o que você está segurando agora está feliz e faceiro.
 
Uma bifurcação no caminho da vida do gato e do teu.
 
E assim, esse sujeito simpático tratou de queimar os neurônios de meio mundo. Cada escolha que fazemos na vida (a estrada de lá ou de cá) se ramifica, e gerando um outro nós em outro desembocar, e por aí vai, infinitamente.
 
Jorge Luis Borges escreveu sobre isso em seu magnífico “Jardim dos caminhos que se bifurcam”. A complexa ramificação do tempo. Numa vertente estou andando na rua, vejo uma borboleta ser comida por um pássaro enquanto minha tia Creuza escreve esta postagem; em outro, sou eu o pássaro, não existem ruas, e este texto cai aos pés de alguém vindo do Campo de Abandono. Numa “edição” estou velho, descubro isto numa história em quadrinhos; noutra, morro aos vinte e poucos anos sem nunca saber ou pensar sobre isso. Em uma, tenho este blog, e infernizo a cabeça de meus leitores com proposições ridículas; em outra, sou um surfista que nunca nem ligou um computador.
 
Vários caminhos, se desdobrando em novos a cada escolha que fazemos. Caminhos gerando caminhos. E assim se vai o tempo de cada um, nesse universo infinito de possibilidades.
 
Realidades paralelas infindáveis de cada um de nós, criadas a cada passo que damos. A cada plano que colocamos em ação. Paralelas supostamente intocáveis, mas visíveis umas às outras em suas tangentes. Em pontos de convergência tão comuns e frequentes, que o mais que podemos fazer é batizá-los “deja vu”.
 
Mas o que me perturba nisso tudo não é a desdobra infinita de cada um, ou o fractal do tempo em regência sobre nós. É a impedância de notar como isso está tão presente. É a triste condição humana de pensar somente “acho que tomei a decisão correta”, sem sequer imaginar que, não importando qual decisão foi essa nesta realidade, todas as suas variantes foram tomadas por mim ao mesmo tempo. Em todas as realidades e direções.
 
Vidas infinitas. Caminhos infinitos de um e de todos. Tudo ao mesmo tempo, agora.
 
E é assim que vejo a forma que o tempo toma sobre nós.
 
A propósito, pássaros não comem borboletas. O pó de suas asas dá um gosto terrível em seus paladares.
 
A propósito 2, não tenho uma tia chamada Creuza.
 
Mas em outra versão de mim, sim.

Filipe Seems

Quando estava em Portugal, posso afirmar com certeza de ter sido uma das melhores fases de minha vida. Entre várias viagens, mochila nas costas e muito a conhecer, aprendi tanta coisa maravilhosa que esse país tem a oferecer. Conheci parentes cujos nomes já havia ouvido, e outros tantos que nem sabia existirem. Pessoas fantásticas, que estarão sempre em minha memória e coração.
 
E quando estava para voltar ao Brasil, passado ano novo e já com saudade de minha outra terra natal, ganhei de presente uma graphic novel que me mudou a vida. Aliás, Lessa, volto a te agradecer mesmo depois de tantos anos, pois ela me deu uma nova percepção da vida e suas vertentes.
 
O livro era o primeiro volume da série Filipe Seems (infelizmente, foi o único dela que consegui até hoje, mas está impecavelmente guardada) e tinha, entre arte e texto, tantas maravilhas quanto mistérios. Por causa disso, minha postagem de hoje é uma homenagem a António Jorge Gonçalves e Nuno Artur Silva, os criadores da série. Já tinha escrito algo sobre uma teoria que me surgiu a partir do livro, mas como “esbarrei” nele esta noite, fui obrigado a reler e repensar, claro.
 
O que se segue abaixo é um pequeno trecho das delícias que a série contém, e espero que todos fiquem tão maravilhados quanto eu sobre ela. Se puderem ou tiverem chance de ler, respeitadas as dificuldades de se encontrar os volumes (acho que são 3 na primeira fase), recomendo como algo que pode realmente mudar nossa forma de ver a vida.
 
- Bem vindo, Filipe Seems, ao Pavilhão da Límpida Solidão. Fizeste o teu percurso pelo Jardim dos Caminhos que se Bifurcam. Estás agora no coração das fábulas, agora podes encontrar a raiz de tua história.
 
- Minha história? Porquê? Porquê eu?
 
- O plano da conspiração é aberto, e faz interferir na teia de uma ficção seres de outra ficção, de uma ficção anterior...
 
- ...tudo é ficção, Filipe Seems, acaso e destino, labirinto e jogo.
 
- Mas... as gêmeas, qual é a história delas? E onde eu entro nisso?
 
- São mil e um os caminhos das fábulas.
 
- Como?
 
- Em cada história, cada vez que um homem se defronta com diversas alternativas, opta por uma e elimina as outras. Nesta uma delas te procurou, e tu foste iludido e chegaste ao Jardim. Noutras, terás sofrido um acidente, concluído o caso, ninguém terá te procurado jamais...
 
- O que é a conspiração?
 
- Não procures uma resposta. Encontra o espaço de uma pergunta maior. Se és realmente um detective, procura o enigma, não a solução. Lembra-te: todos os seres humano são uma obra única; com sua história pessoal, seu percurso no Jardim dos Caminhos. Personagens de ficção encontrando outras personagens, ficções originando outras ficções. Numas somos narradores, noutras somos narrados, numas somos corpo, noutras somos sonho, fazendo fluir nossa história dentro da história do mundo.
 
- Ah…
 
- Os homens necessitam de fábulas. E não há destino mais nobre do que povoar o mundo com personagens de fábulas.
Ps.: O texto foi reproduzido  com propósito de resenha. não venha ninguém me processar, fazendo o favor. E se alguém souber onde encontro mais volumes, por favor me avisem.

Fuck

O grande Evil Vick, amigo de velha data que rala nas minas de sal de SP, uma vez me indicou este vídeo. Nerd em razão e conteúdo (tanto Evil Vick quanto o vídeo), ele se tornou rapidamente um clássico colocado no Bladobladoblado.Iutubíu.

Depois de uma pesquisa, acabei sabendo que o texto do vídeo é atribuído (mas não oficialmente confirmado) aos criadores do grupo Monty Phyton. Não sei realmente se foram eles os responsáveis, mas tem muito a cara de algo que sairia da cabeça de Terry Jones e sua turma.

Bem, o vídeo trata de definir todos os vários usos da palavra “fuck” na língua inglesa. E é tão engraçado que consegue não ter qualquer sentido sujo ou pornográfico. Mesmo assim, preferi não deixar uma tradução, só por precaução.

Espero que gostem.

Blogagem Coletiva


Muito bem, é hora de erguer as mãos e fazer alguma coisa que preste.

Com esta postagem, estou oficialmente participando da blogagem coletiva “Quebrando o silêncio”, contra a pedofilia em todas as suas formas. Cada participante fazendo sua parte, combatendo esse mal absurdo e alertando para os perigos que esse tipo de doença (social, mental, comportamental, sexual, qualquer que seja) pare de uma vez.

Como a Wikipedia diz: A pedofilia é classificada como uma desordem mental e de personalidade do adulto, e também como um desvio sexual, pela Organização Mundial de Saúde. Os atos sexuais entre adultos e crianças abaixo da idade de consentimento (resultantes em coito ou não) é um crime na legislação de inúmeros países. Em alguns países, o assédio sexual a tais crianças, por meio da Internet, também constitui crime. Outras práticas correlatas, como divulgar a pornografia infantil ou fazer sua apologia, também configuram atos ilícitos classificados por muitos países como crime. O comportamento pedófilo é mais comum no sexo masculino.

Independente de quem, como ou onde sejam cometidos esses abusos medonhos contra menores de idade, de qualquer idade, a verdade é que o mundo em si contribui de certa forma para a perpetuação desse mal.

Claro, não podemos perdoar nem passar a mão na cabeça de nenhum irracional perturbado que cometa crimes assim. Mesmo que ele só veja fotos, ou faça algum tipo passivo de pedofilia “que não faz mal nenhum, porque não encosta em ninguém”. Mas nem por isso devemos deixar de fazer nossa parte em negar que a mídia, moda e sociedade de consumo alavancam muito os que já têm tendência a esse tipo de perversão.

Quando eu era criança, tudo que se destinava a minha faixa etária era indiscutivelmente “coisa de criança”. Não havia como negar. Nenhum brinquedo, roupa, estilo ou moda eram destinadas a crianças deixando dúvidas do que estas eram de verdade. Crianças. E uma delas podia até brincar de adulto, preparando tortas de lama, fingindo ser médica, profissional, professora e etc., mas jamais levaria isso além da simples brincadeira.

Entretanto, infelizmente a sociedade e o consumo desenfreado levaram a uma sexualização do mundo infantil, o que, a meu ver, é grande responsável pela proliferação da pedofilia no mundo.

Basta olhar e ver como são as modas infantis. Qualquer dançarina rebolante do “fânqui”, pagodeira ou similar tem sua própria linha de roupas infantis, e essas roupas são versões em escala menor que a “artista” ou “empresária” usa, o que, convenhamos, é de um mau gosto incrível.

Contudo, essas roupas são vendidas aos milhares (e não apenas a famílias de classes mais desfavorecidas cultural ou financeiramente).

Basta ver que as músicas mais ouvidas pelo público infantil não são mais “Alecrim” ou “A canoa virou”, e sim qualquer coisa cometida por Kelly Key ou fânquis que nem deveriam tocar em rádios. Músicas que têm ênfase sexual exacerbada, tal como nos clips de Black Eyed Peas (sim, o problema não é somente com a música brasileira).

Ainda assim, milhões de famílias compram os Cds, baixam da net, dão a suas crianças e ainda têm o disparate de considerarem “bonitinho” quando suas filhas rebolam de minissaia ao som da música, desde os 4 ou 5 anos de idade.

Basta ver que em novelas, revistas “teen” (e praticamente toda forma de arte de consumo em massa) estão completamente banalizando a sexualização dos jovens, inclusivo dos MUITO jovens, e pior. Com pleno apoio das famílias.

Todos somos culpados.

Pedofilia é crime. Claro.

Comercialização, omissão e institucionalização também são.

Cabe a cada um fazer sua parte.