Online Rock Radio


Som na caixa, distorção na cuca e roquenrou na véia!

Um grande amigo meu de Portimão (Portugal, Europa, Planeta Terra, Universo conhecido...) está inaugurando uma rádio online. Até aí, tudo bem. Milhões de pessoas tem outro tanto de amigos que inauguram rádios online. Mas minha honrosa menção aqui é porque o cidadão tem uma das maiores e mais diversificadas coleções de rock, hard rock, capeta rock, rock rock, e rock'n'rolla que já tive capacidade de conhecer. E olha que minha coleção dá inveja em muita gente.

Então, tendo em vista que sou fã incondicional desde que a rádio estreou, passo o recado pros adeptos de boa e visceral música, pra que possam acompanhar o programa de hoje.

Aliás, "passo o recado" é o cacete! Vão lá conferir ou passem a arder no inferno daqueles que gostam de música de elevador.

A rádio se chama Hard Rock Choir, e inicialmente tem programas de duas (2) horas, até o servidor se acertar.

O horário de broadcast será hoje das 22:00 a 00:00 (Portugal), 18:00 a 20:00 (Brasil) e 124234.3456 a 1234325.3 (Quatrzo Zerônio da Nebulosa 42).

Mas fiquem ligados e voltem lá pra ver novos programas, e conhecer artistas, novidades e releases dos quais nunca ouviram falar, e o mesmo para os clássicos que, como o próprio Mumm-Rá, são de vida eterna.

Bom som pra todos.

Copiar não é roubar

Recebi a indicação desse vídeo por minha amiga @faconti, no Identi.ca.


Ele é um desenho muito bem feito a respeito de compartilhamento, ao invés de roubo. Vejam bem, compartilhamento.


Pessoalmente, sou completamente contra o roubo de ideias. O criador de algo tem todo o direito de criar e receber pelo fruto de sua criação, atribuída a ele como sua. Mas a ideia em si não pode ser contida. Se divulgada, pode atingir um número bem maior de pessoas. Inclusive em locais onde, se fosse completamente impedida de ser compartilhada, nunca chegaria.


Esse papo todo sobre o terrível compartilhamento, e o medo pavoroso que as indústrias fonográficas e cinematográficas têm dele, é coisa muito mais recente. Bem pouco tempo atrás, ninguém se preocupava realmente com isso. Claro, pegar um filme, copiá-lo e revendê-lo como se fosse obra sua era e sempre foi ilegal, e assino embaixo quanto a isso. Mas compartilhá-lo, nunca deveria ser proibido, e antes não era.


Se não, como explicar que não era proibido você comprar uma fita cassete, pra gravar uma música que ouve no rádio, num disco de vinil e etc., e tê-la pra ouvir também? Foi somente com a chegada e popularizada da internet, que o medo se instalou nas indústrias. Porque com isso a capacidade de “gravar uma fita cassete” ganhou muito mais rapidez e amplitude. Afinal, a “rádio” agora atinge o mundo todo.


Mas compartilhar é uma forma saudável de não só divulgar uma obra, mas também de dar acesso a ela para quem jamais teria de outra forma. Ora, se não houvesse essa forma saudável de cópia, como alguém conheceria a Mona Lisa senão através de reproduções? A original, nunca foi danificada ou tirada do museu por causa disso.


Já pensaram se tivessem impedido às civilizações de copiar a invenção da roda? O que seria de nós? Estaríamos até hoje usando pneus quadrados?


Afinal, se você vai na casa de amigos e pega emprestado um livro de receitas, não estará realmente roubando nada se fizer aquele rosbife da página 37. Mesmo que não tenha comprado o livro em si. E isso nunca foi crime, apesar do que pensa o ACTA.


Isso é compartilhar. Assistam o vídeo e opinem.


E, claro, compartilhem com outros.



Mas que porra


Estava em casa acompanhando as notícias no RSS, matando tempo e ouvindo Beatles no Guayadeque (maravilhoso player, por sinal), quando me dei conta que havia algo errado. Vejam bem, o Guayadeque é um player bem completo. Ele mostra, além da música que está sendo tocada, toda a biblioteca de áudio, as letras das músicas tocadas, informações dos artistas e um monte de outras paradas legais.

E é costume meu, enquanto escuto música, ficar acompanhando as informações dos artistas (que são vinculadas ao programa e exibidas através de um plugin do Last.fm). Mas, enquanto ouvia uma das músicas do Beatles, lendo as informações, me deparei com “aquilo” no meio do texto.

E não é por eu ser fã de Beatles ou não, mas é uma putaria fazer algo assim. “Pixar” as informações sobre um artista, no Last.fm ou não, é ridículo e parece coisa de criança.

Já não se respeita mais nada, KCT?

Fiquei puto.


Cliquem aqui para ver a imagem ampliada.

Presente

Verinha, do excelente blog Pensamentos e Sentimentos, deixou uma super "medalha Muttley" neste modesto blog de abobrinhas e, cheio de orgulho e vaidade, o mostro agora em seu devido e merecido lugar.

Peço a todos que conheçam e acompanhem o fantástico trabalho de Verinha, que é uma blogueira de mão cheia e, como manda o figurino, recomendo esse selo de prêmio para dois outros blogs que respeito:


Obrigado pelo presentaço, Verinha. De coração. E vamos em frente que a blogosfera não pára.

Pensador Louco

Bem, depois que todos achavam que eu não teria mais novas formas de infernizar a vida de meus (um ou dois, sem contar minha adorável consorte) leitores assíduos, decidi, num momento de estranha lucidez, voltar a desenhar quadrinhos.

E como sou muito (muito mesmo) fã de webcomics, achei que o mais sensato (?) seria criar os meus próprios.

Calma, não comecem a gritar de desespero. Ainda não.

Munido de uma canetinha preta, um scanner e a ajuda inestimável do maravilhoso Inkscape, resolvi me lançar como marca e conspirei para criar o blog de webcomics Pensador Louco. Lá vocês verão tiras e quadrinhos novos diariamente e, em breve, camisetas, bichos de pelúcia, bricabraques e armas de destruição em mass... hã... canecas personalizadas, entre outras coisas.

Afinal, me manter longe dos manicômios custa caro.

Ainda continuarei a escrever neste blog, claro, mas peço que acompanhem o outro também, nem que seja pra dizer que eu sei escanear uma figura direito. Se quiserem ajudar a divulgar, também, agradeço desde já.

Só não reclamem que os quadrinhos não têm graça. Eles têm a mesma falta de graça que está presente em tudo que faço. Então, vocês já deveriam estar acostumados.

Abraço a todos e os espero lá. Realmente espero.

http://www.pensadorlouco.com

Schism

Relembrando um vídeo da banda alternativa Tool que, entre experimentos e arrojos musicais, sempre criara clipes com temas oníricos e fantásticos.



Realidade a Go-Go


Não sei se vocês conhecem ou ouviram falar de uma peça em película chamada Monster a Go-Go. Até ia falar em “peça cinematográfica”, mas chamar aquilo de cinema seria enfurecer a Convenção de Genebra. A coisa é tão ruim que não dá nem pra fazer uma crítica, mas basicamente a história (se é que há uma) por trás dela é a seguinte:

Monster... foi cometido por um diretor chamado Bill Rebane, infame por filmes de títulos como “The giant spider invasion” e “The capture of Bigfoot”, mas não só por ele. A bronca é que, no meio da produção, o dinheiro acabou e o sujeito acabou abandonando o projeto. Mas como em filmes clichê de terror (este, nem nessa categoria encaixa) algum mané acabou mexendo no que não devia e despertando um mal muito pior que qualquer coisa perpetrada por Ed Wood.

Sério.

Herschell Gordon Lewis (também culpado de horrores como “Two thousand maniacs” e “Blood feast”) pegou a sobra do filme anos depois para completar uma sessão dupla de drive-in, e terminou a direção de cenas, história(?) e etc., até conseguir algo que tivesse ao menos créditos iniciais e finais.

E, creiam-me quando digo, o troço é realmente medonho. Não dá pra ver nem bêbado.

Mas, ao mesmo tempo, assistir a ele me deu um estalo na cuca. Nas costas também, num esforço súbito de alcançar o controle da TV pra desligar, mas isso não vem ao caso. Então, antes de falar o porque, uma breve sinopse.

Bem, como Monster não tem exatamente qualquer coisa que pareça um roteiro, não será difícil resumi-lo. Difícil seria fazer dele algum senso:

Pra encurtar, uma cápsula espacial em volta à Terra tem seu astronauta (Frank Douglas) desaparecido e inexplicavelmente trocado por um alto, radioativo, nervoso e humanoide monstro. Uma equipe de cientistas e militares tenta capturar o monstro, e em algum momento até consegue. Mas, tão sem explicação quanto o resto, o coisa ruim desaparece novamente e nem sua captura nem fuga são mostrados em qualquer momento; somente narrados. No fim do filme, os cientistas recebem então um telegrama informando que o astronauta foi visto, está saudável e bem, e foi encontrado no norte do Atlântico, tentando sugerir que o monstro (do qual não se tem mais notícias) poderia ser alguém se fazendo passar pelo astronauta. E acaba com o narrador dizendo que talvez nunca tenha havido qualquer monstro. The end.

Assim. Sem tirar nem pôr.

O “caroço do angu” é que, nos anos entre Bill Rebane falir a produção e Herschell Lewis reassumir a direção, não apenas o filme já era péssimo em primeiro lugar, mas alguns atores não estavam disponíveis, não havia muita grana pra continuar, e o segundo diretor só procurava algo pra tapar a brecha que precisava para a sessão dupla de filmes. Portanto, pra que ele se preocuparia com coesão, narrativa, atuação, roteiro, qualquer coisa? Bastava tacar de volta na tela um cara alto, magro e cheio de Amendocrem na cara, alguns milicos atirando a esmo e a plateia estaria convencida. Para cobrir os furos ou falta de cenas, coloca-se um narrador chato dizendo os eventos que não são vistos e pronto. Trama? Ritmo? Cinema? Arte? Respeito pelo espectador? Que nada. O povo quer é dar uns amassos no carro no drive in, e não importa o que se entrega a ele na projeção. Pão dormido e circo de gosto duvidoso.

E o estalo que me deu ao ver Monster a Go-Go foi justamente a esse. Lewis, tristemente, não poderia estar mais certo.

E foi baseado nisso que pensei em quanto vivemos diariamente uma realidade como a do filme. Pois não é exatamente isso que os governantes fazem com a população? Na maioria do mundo e, claro, no Brasil?

A lição de Monster a Go-Go é uma fácil de se ver, mas dura de engolir. O que o diretor do filme fez, foi terminar às pressas um arremedo de produto pra jogar ao consumidor, esperando que fosse digerido. Pois este último pagou seu ingresso, estava lá pra ver e esperava ao menos uma coisa verossímil em retorno. Era seu direito de espectador, mesmo que sua real intenção fosse passar a quinta marcha nas pernas de sua acompanhante durante todo o tempo.

E não é exatamente nessa realidade a go-go que se baseia toda a impunidade governamental sobre os cidadãos?

Todos pagamos o ingresso com votos, e em retorno esperamos a prestação de contas de quem rege o grande cinema em que vivemos. É nosso direito, supostamente inalienável, de receber respostas do roteiro que é reescrito todos os dias durante um mandato, mas tudo o que temos normalmente são remendos mal feitos, e tão absurdos, que nos são dados a comer para que nos preocupemos com outras coisas, como quem foi para o paredão ou quando será o próximo jogo do timão.

E quando a coisa pega fogo, uma denúncia vem à tona, e todos os olhos se viram para a tela esperando uma solução, o diretor e sua equipe nos costuram uma malha crua e dura de vestir, cujos botões simplesmente não encaixam nas casas. Mas está lá, é sua resposta oficial e temos que usá-la para atenuar nossos protestos de que, desta vez, a coisa foi longe demais. E o pior, a grande maioria usa sem reclamar, porque é mais fácil virar os olhos, dizer que o filme foi uma merda e esperar a próxima sessão, sabendo de antemão que a tendência é piorar.

É assim que ocorre quando políticos desonestos, oficialmente afastados, reaparecem pouco tempo depois em outros cargos, como o astronauta do filme, com um narrador tentando sussurrar em nossos ouvidos que talvez nunca tenha havido desonestidade em primeiro lugar.

É a maneira em que nos é dito onde foram parar aquelas promessas de campanha, projetos sociais, planos econômicos e demais panaceias que, nunca tendo saído do papel, acabam esquecidas sob jugos de que “a oposição não deixou”, “estávamos de mãos atadas” ou “está em eterno andamento”.

É a resposta das autoridades para a falta de combate à inundação de violência e drogas nas ruas, dizendo que sabem exatamente quem são os culpados, mas que estes são mágicos e conseguem sempre estar ou fugindo sem deixar vestígios, ou com estratégias de logística que colocariam a coca cola de joelhos pedindo conselhos.

É como se resolve o fato de que crimes e mortes aconteçam diariamente e em grande escala no mundo, e sejam dadas explicações espúrias como loucura, seitas, frutos-do-meio e etc., sobre os quais nada é feito nunca, enquanto crimes esparsos de pessoas célebres, ou só crimes em massa recebam toda a atenção, revolta e rapidez do sistema judiciário e mídia.

É exatamente como a infinita busca por armas de destruição em massa, que nunca aparecem e que todos sabiam não existir.

É como o velho clichê de aparições de ovnis no mundo, sendo todos reportados pelo governo como balões metereológicos fora de controle.

É a explicação dada por cônjuges quando chegam tarde da noite, completamente bêbados, cheios de perfume e álibis que só eles conseguem perceber como válidos.

Como tudo que nos é dado a crer como realidade, num país em que todos fazem, podem e agem como querem, porque qualquer justificativa será aceita pelo povo, mais preocupado em pagar prestações das casa bahia e ver o final da novela. Que, aliás, também muda de realidade, trama e roteiro o tempo todo, pra aumentar a audiência e manter os espectadores felizes.

E querem saber do que mais?

Ninguém realmente se importa, desde que os filmes não parem de passar, o carro esteja numa boa posição frente à tela e a pipoca continue chegando quentinha.

Citando o final narrativo de Monster a Go-Go:

Como se um interruptor fosse desligado, como se um olho houvesse piscado, como se alguma força fantasmagórica no universo tivesse feito um movimento aeons além de nossa compreensão, repentinamente, não havia pistas!

Não havia monstro, nenhuma coisa chamada Douglas para ser seguida. Não havia nada no túnel além dos confusos e corajosos homens, que acabaram por encontrar-se sós com sombras e escuridão!

Com o telegrama, uma nuvem se vai e outra surge. Só o astronauta Frank Douglas, resgatado, vivo, bem e em tamanho normal, a oito mil milhas de distãncia dos eventos, em um barco salva vidas, sem qualquer memória de onde esteve ou como se separou de sua cápsula!

Então, quem ou o que aterrizou aqui? Estará aqui ainda? Ou será que o cósmico interruptor foi desligado? Mantenha em mente: a linha entre ficção científica e fato científico é de uma espessura microscópica! Você viu essa linha se afinar ainda mais!

Mas será que a ameaça ainda está conosco? Ou será que o monstro se foi?"