Liberdade

Sou um usuário confesso de software livre.

Trabalhando com design gráfico, aprendi os benefícios do Linux ao invés do Janelows. Do Gimp no lugar do Bostoshop. Do Inkscape ao contrário do Coréu Dráu. BR Office ocupando o posto do MSOrifice. E por aí vai, numa lista grade o suficiente pra dizer que não dependo mais das coisinhas proprietárias pra fazer o que quer que seja que me dê na telha.

E ainda que esteja a cada dia mais feliz de ver que o software livre ganha espaço, onde antes só havia Cds comprados em camelôs para a última versão do Autocadji, não fico completamente contente porque sei que é ainda uma luta desigual. Sendo anarquista por natureza, e iconoclasta por raiva do mundo, tenho sempre a tendência de preferir os lados mais alternativos aos de massa, de tentar demais opções e não embarcar simplesmente no “que todo mundo gosta”. Até porque, nem Jesus agradou a todos. Como vejo as coisas, nada pode ser capaz de agraciar todo mundo simplesmente porque ninguém é igual a ninguém, independente de se a maioria gosta de sertanejo ou não.

Qualquer coisa criada para ser consumida em massa precisa ser tão impessoal ao ponto de tentar suprir todos os anseios (o que, convenhamos, é impossível), e então carece de uma coisa primordial: personalidade. Bandas de consumo global costumam ser assim (ainda que existam aquelas que, por excelência, atinjam um grande número de pessoas porque são boas pra cacete). Tendências de moda são assim. Programas de TV são assim. Comidas são assim. Portanto, programas também são assim quando perseguem a tentativa de dominarem os desktops do planeta.

Minha bronca com software proprietário não é só por isso. Não é porque Bill Porteiras usou de práticas capitalistas pra fazer seus softwares engolirem grande parte da concorrência, que eles sejam ruins. Alguns são até muito bons. Ruim é o fato de pessoas se acostumarem tanto a eles que dependem de pirataria pra poderem usá-los, porque os preços exorbitantes de suas licenças fica muito além da realidade de pessoas comuns. Ruim é você procurar cursos e encontrar “Curso de Uôrdi”, quando deveria encontrar “Curso de Editores de Texto”. Ruim é o usuário atual de computadores não ter chance de saber que existem alternativas que não dependem de Cds piratas. Ruim é outros tantos saberem que alternativas existem, mas terem preguiça de usá-las, e preferirem ilegalidade porque “Todo mundo faz, então eu também posso”.

Ruim é poucos saberem que a Micosoft depende exatamente da pirataria pra continuar existindo, porque ela, de uma forma ou de outra, ajuda a espalhar o mito de que, sem a Micosoft, não há alternativa.

Muito pior é tão pouca gente ter vontade de mudar isso.

Existem pelo mundo afora milhares de pessoas que fazem, por vocação e dedicação, programas tão bons quanto quaisquer outros. Às vezes, e não são poucas as vezes, são até bem melhores. Gente que faz isso só pra mostrar que há liberdade fora das licenças muito caras ou das cópias ilegais. Que faz programas excelentes, como os que mencionei no segundo parágrafo, pra semear brechas de ar fresco fora do esquemão, e tudo o que pedem e que os usuários testem e, se gostarem, usem suas alternativas porque ser livre é muito melhor. Esse caras trabalham tanto que as versões novas de seus programas saem o tempo todo, em constante atualização.

Ora, o próprio grupo do Google é um exemplo de liberdade, criando várias opções gratuitas ou de baixo custo para suprir as vontades dos que querem fazer algo sem roubar e sem se escravizar pelo consumo em massa.

Então por isso escrevo esta postagem. Tenho andado muito ocupado pra postar com mais freqüência no blog (novas atribuições, pouco tempo, socorrooooooo!), mas queria pedir a todos os meus dois leitores (incluindo minha cara metade) que testem de vez em quando uma forma diferente, só pra dizer que tem porque preferir um ou outro. Ninguém está obrigando ninguém a usar o Scribus (que eu uso) no lugar do Públixer. Apenas sugiro que vocês testem pra saber, no fim da história, se foram vocês mesmos que escolheram usar o esquemão, ou se é o esquemão escolhendo por vocês.

Então o furdunço é o seguinte. Deixo abaixo os links de programas variados para os mais diversos fins, que uso e que são livres (podem ser baixados, instalados, copiados, oferecidos, dados de presente e pisados), fazendo frente a outros que dependem de grana ou camelô pra serem usados. Todos funcionam em português. Nas páginas deles há tutoriais, exemplos, dicas e macetes pra quem quiser aprender.

E um pensamento. Foda-se a propriedade, porque não sou propriedade de ninguém.

Inkscape – Software de desenho vetorial com vários e maravilhosos efeitos que o o Coréu nem sonha em ter de forma simples. Visite a seção de “screenshots” de cada versão, pra ter uma idéia de como esse troço é bao. Muita coisa neste blog foi desenhada usando Inkscape.

Scribus – Programa muito leve, para a criação de texto publicitários, jornais, revistas e etc., que não fica devendo em nada a Peige Meiquer ou qualquer outro. Exporta em PDF para a facilidade de trabalhar com gráficas.

GIMP – Editor de imagens com centenas de recursos profissionais, capazes de serem usados em trabalhos amadores ou comerciais, sem perder um centímetro quanto aos concorrentes. Também o usei direto neste blog.

BROffice – Uma variação do também excelente Open Office, e tem planilhas, texto, apresentações e etc. completamente compatíveis com os do MSOrifice, mais um programa de ilustração que é muito bom.

Finance Desktop – Software completamente gratuito e muito bom de controle financeiro pessoal ou empresarial, que bota similares pagos pra escanteio.

Avira - Antivírus gratuito, leve e capaz de pegar uma quantidade esmagadora de ameaças.

É isso, p-p-p-pessoal. Tem muitos mais, mas estou pegando leve com os iniciantes. Depois comentem sobre o que acharam. E os que já conhecem todos ou alguns destes programas, por favor, ajudem a divulgar.

E continuem livres.

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