Hobbes

Sabem porque gosto tanto de teorias de conspiração? Não é porque paranóia faça bem pra saúde. Eu mesmo sou um paranóico light, que não surta senão por ter medo de guarda-chuvas.

É, no fundo, porque acredito de certa forma em todas elas, isso quando não crio as minhas mesmo. Penso que toda mitologia tem um fundo de verdade, uma alegoria para explicar o que não entendemos, uma forma de preencher lacunas e, na questão das conspirações em si, um jeito de tentar não fazer que todos vejam as coisa do mesmo jeito, nem que seja pra bagunçar as coisas um pouco.

Ora, nada é mais sem graça de que todo mundo achar que a verdade é indiscutível, de que o mundo tem uma cor só, de que cada pessoa no planeta deva olhar pra um lado somente, e essa já foi uma das razões de ter criado este blog: fazer caber meu ponto de vista (por mais descabido e desprovido de fundamentos que seja), mas por ser um ponto de vista alterativo.

Como quando escrevi a postagem sobre software livre, que adoro simplesmente por ser tão bom quanto o software proprietário e ser ainda renegado por tanta gente.

No fundo, somos todos livros. Eu, você, todos. Nossas experiências e vivências ao longo de todo o percurso que traçamos, nos faz ter nossas próprias diretrizes. Nossos mitos e lendas. Nossas verdades e variações de com o quê o mundo deva se parecer. E nós, como livros, somos nossa própria mitologia: detestamos baratas (ou não) por nossos próprios motivos, e não deveríamos fazer cara feia aos coreanos que as têm como animais de estimação; achamos ou não que alienígenas existem, que deus é uma força ou um velhinho de barba branca, que mentos e coca misturados podem matar. É exatamente nessa diferença toda de crenças, visões e (por que não?) conspirações, que está todo o feliz e vivo ambiente cultural do mundo.

É isso que nos leva às tão mal vistas teorias de conspiração. Vivemos num mundo completamente conectado, e o inconsciente coletivo de todas as nações forma, quer queiramos ou não, uma teia mitológica criativa que nos povoa de sonhos, temores, desejos e novas versões mais rebuscadas dessa coisa sem muito sentido que batizamos de “vida”. Essas teorias, que na maioria das vezes não têm qualquer relação com realidade, ciência, política ou religião, são sempre fruto de mentes criativas ou fantasiosas, mas servem para nutrir outras tantas que sabem exatamente como pegar toda essa fantasia e torná-la possível. Lembrem-se que Júlio Verne (ainda que antigamente nomes como “teoria de conspiração” ou “lenda urbana” não existissem) causou efeitos semelhantes com seu Viajem ao centro da Terra, e isso incitou muitos cientistas a criarem teorias reais.

Mas muita gente torce o nariz pra esse tipo de coisa. Acham que é resultado de gente paranóica que não tem mais o que fazer na vida. Estão muito preocupadas com que exista uma impessoal e única verdade universal, pra os deixar automáticos e confortáveis. Como ao comer um fast-food cultural, se eximem do direito de pensar, de escolher, de acreditar ou, principalmente, questionar.

Eu não. Adoro isso, e poderia passar todos os dias lendo ou escutando as mais estapafúrdias estórias e teorias, pois isso me fazer pensar mais, escrever mais e inclusive no trabalho, produzir mais.

Então, para começar, deixarei duas teorias descabidas a respeito de personagens populares que muitos conhecem ou conheceram. Espero ouvir que vocês acharam uma bosta sem qualquer relação real possível, ou que pode ter um fundo de verdade. Aos que acharem que estou certo, não prometo nada além da constatação de que vocês podem estar caminhando em linha reta para atendimento psicológico.

Vamos começar com House. Esse seriado é muito bom, eu mesmo assisto com freqüência, e já era fã de Hugh Laurie desde quando ele era novo e fazia par com Stephen Fry. E House, o personagem principal, marca presença sendo um sujeito irascível com cortadas excelentes, grosseria pra dar e vender, pouco ou nada de empatia com as pessoas com as quais trabalha, ou as que trata no hospital. Parece que falta a ele uma consciência bondosa, um lado humano, não é? Afinal, todas as suas considerações e vida pessoal são de se sentir um aleijado, que não sabe ou tem personalidade própria suficiente pra ser uma pessoa de verdade.

Mas foi anteontem que percebi que House sofre de dissociação, e que isso é representado na série por um outro personagem. Sendo um médico e pessoa tão complexa e controversa, sem que vejamos muito de sua vida pessoal fora do hospital, ele extravasou isso a outro personagem que, embora também não tenha muito de sua vida pessoal mostrada na tela (ao contrário do dia a dia de seus assistentes), serve diretamente como a consciência de que House carece nos demais momentos.

Essa consciência em forma humana é representada por Robert Sean Leonard. O amigo de House que sempre lhe dá conselhos, críticas e acende a centelha de humanidade em seu perfil. Elaborei essa teoria baseado em que:

  • House e ele sempre conversam longe da interrupção de qualquer pessoa
  • Muito raramente os dois são vistos interagindo com a equipe de médicos
  • Quando os dois são vistos ao mesmo tempo pela equipe, é sempre um só a falar (prova de que são a mesma pessoa)
  • Sua consciência não tem vida pessoal ou assuntos particulares, exceto se House for o assunto em questão
  • Ele praticamente nunca atende clientes, e quando os atende é somente para passar a House, que os recusa primeiro, e depois, com um sermão sobre o valor da vida humana e a indiferença de House, aceita e passam a ser atendidos pelo médico chefe do programa

Aqueles(as) que assistem House podem verificar e dizer se não estou certo. E se a série repentinamente mudar esses conceitos todos, e der ao “segundo doutor” uma vida própria e mais projeção, isso apenas virá a corroborar mais minha teoria de conspiração.

E a segunda teoria tem a ver com Calvin e Haroldo. Seguindo os passos acima, é só verificar que Haroldo é, na verdade, a libido de Calvin extravasada. Ele gosta de meninas, enquanto Calvin, como qualquer garoto muito novo, as detesta. E tem a mente de um Calvin mais crescido, enquanto este ainda luta por manter seu lado criança como um pokemon que se recusa a evoluir.

Ah, como eu gosto de ser um paranóico dedicado...

2 comentários:

Cibele disse...

Particularmente, eu adoro teorias de conspiração. Mesmo não acreditando em algumas delas, eu acho interessante. E sim, concordo com você quando diz que muitas pessoas se privam do direito de pensar e questionar, porque estão preocupadas com que exista uma verdade universal. É preciso sempre questionar e tentar achar as respostas, se não perde a graça da coisa.
Eu não assisto o House, mas qualquer dia desses tentarei assistir. :)

Beijo na alma, paz profunda.

Beth Ribeiro disse...

Olha eu de novo!Passei aqui pra dizer que tenho visitado seu blog com frequencia e adorado o que tenho lido.Por isso indiquei vc para receber alguns selinhos.Fique à vontade para recebê-los lá no meu blog.Boa semana pra vc.Bjs