Homenagem

Muita gente talvez ainda não conheça The Mars Volta por aqui, e deveriam ouvir porque o som deles é maravilhoso. Ou então esqueçam, pode ser que todos os conheçam e não queiram ouvir mais. Não é realmente isso que importa.

Estava ouvindo Televators, cujo vídeo já postei aqui há um tempão, e me lembrei da história por trás daquele disco (De-loused in the comatorium), e da homenagem que a banda fez a seu grande amigo e mentor. O disco conta, de forma surrealista e enigmática, a história de um homem preso em coma auto-induzido, lutando contra o lado perverso de sua mente.

Julio Venegas era o grande incentivador e otimista, amigo do pessoal da banda, que os ajudou a começar, acharem seu caminho e fazerem shows. Não conheço muito sobre a vida do cara, exceto pelo que dizem as biografias, mas ele era um musicista e artista em El Paso (Texas) e foi de grande ajuda no inicio da banda.

Independente do que tenha sido, entretanto, Julio entrou em coma por causa de um acidente (sofrido enquanto usava opióides) e nele ficou por sete anos. Ao despertar, seu corpo estava repleto de cicatrizes, por causa do acidente, ele havia ficado manco e tão cheio de marcas, que um amigo seu chegou a dizer que parecia olhar um mapa ambulante.

Deprimido por seu estado ao despertar do coma, a primeira atitude tomada por Julio ao ser deixado em casa foi se matar.

Se atirou de um viaduto no Texas e morreu instantaneamente.

Então Cedric Bixler Zavala (o vocal da banda) escreveu as letras do disco como uma forma de homenagem, uma maneira de entender o que ele passou durante o coma, e sua vontade tão grande de esquecimento, morte e redenção.

Televators, a música final e mais bonita do disco, conta o exato momento em que seu corpo atingiu o concreto do chão, e a forma em que os paramédicos removeram seu corpo. Em forma de metáforas e poesia, somada às guitarras da música (que em certa parte imitam o som de carros passando), Televators é uma homenagem que deve ser ouvida com respeito.

Cliquem aqui para ver o vídeo.

A tradução da letra segue abaixo.

"No momento em que ele bateu no chão
Baixaram um reboque que
Como um gancho agarrou em suas gelras
Fragmentos de títulos
Desvende este enigma
Três córneas carcomidas
Que que ocultavam a auréola
Ronde o chão
Ronde o chão

Você deveria ter visto
A maldição que passou por perto dele
Uma folha de concreto
Manchou o andar manco com muleta
Auto da fé
Um traço de vermelho nos capilares
Somente este corpo definhado
De forma crescente, escapou

A casa à metade do caminho
Caiu vazia com dentes
Que partiram seus lábios
Grave estas palavras
Um dia esta marca de giz vai circular toda a cidade
Será que ele foi roubado do asfalto que acolchoou seu
rosto?
Um charlatão disfarçado
Escondido num cofre branco
Ronde o chão
Ronde o chão

Puxe os alfinetes
Salve sua graça
Grave estas palavras
Em sua lápide

Você deveria ter visto
A maldição que passou por perto
Uma folha de concreto
Manchou o andar manco com muleta
Auto da fé
Um traço de vermelho nos capilares
Todo mundo sabe que os dedos serão sempre os mais frios a partir
"

2 comentários:

D. Diogo Klock disse...

Opa Grande companheiro das noites de boemia...
Cara não conheço... mas vou procurar conhecer, parece mesmo muito bom...

abração

Pensador Louco disse...

O som deles é excelente, e mistura progressivo, jazz, fusion e rock.

Valeu pela visita, kamarada, nos vemos pelas quebradas.

Abração.