Tem tempo que não faço homenagem a algum grande músico, ou banda, então a postagem de hoje é para o mais boêmio, vagabundo, talentoso poeta/músico de minha coleção de músicas. Pra quem quiser saber, o segundo mais é Chico Buarque.
Americano de descendência irlandesa, Tom Waits é uma mistura perfeita de poesia, jazz, blues, atitude, atuação e pensamento, e tem letras tão pessoais que, como alguns dizem, a cabeça dele é uma obra aberta. Já atuou em vários filmes (é figura constante nos do Coppola) e está na estrada há mais tempo do que Judas perdeu seus cassetes. E paramos por aqui. Quem quiser saber mais, procure a biografia dele na Wikipedia.
Minha homenagem a ele vai para a canção Tom Traubert's Blues, uma de minhas favoritas e mais enigmáticas de suas composições. Basicamente, ela trata de um sujeito perdido numa estranha e distante terra, enquanto a guerra estoura a sua volta. Deixarei a tradução (a minha tradução, não me culpem se tiver algo errado nela) abaixo, e vocês se torçam para interpretá-la como quiserem.
Uma nota sobre o refrão: “Waltzing Matilda”, que traduzirei como “Valsar Matilda”, significa várias coisas e merece uma atenção especial. 1) Esse é o nome da canção considerada o hino nacional “não-oficial” da Austrália; 2) “Valsar Matilda” é, na cultura popular dos artesãos, viajar pelo país com uma trouxa de roupa nas costas, e aprendendo um pouco mais a cada dia; 3) essa expressão também é uma gíria para a vida nômade dos que não têm lugar fixo para viver.
Espero que gostem e procurem ouvir o som.
Ou não.
“Acabado e ferido, e não pela luz da lua
Agora consegui tudo pelo que paguei
Te vejo amanhã, Ei, Frank, será que posso
Pegar uns trocados com você?
Para valsar Matilda
Você valsaria Matilda comigo?
Sou uma vítima inocente de um beco sem saída
E cansado de todos estes soldados aqui
Ninguém fala minha língua, tudo está partido
Meus cigarros estão ensopados como esponja
Vou valsar Matilda
Você valsaria Matilda comigo?
Agora os cães latem sem parar
E taxis param a minha volta
Mas é só o que podem fazer por mim
Te pedi que me cravasse a faca, você rasgou minha camisa
E esta noite estou caído de joelhos
Velha reza, eu gaguejei, você enterrou a faca
Tua silhueta feita de luz
Para valsar Matilda
Você valsaria Matilda comigo?
Perdi minha medalha de São Cristóvão, agora que a beijei
E aquele bandido de um braço só, sabe
E todos os chineses, e os sinais sujos de sangue
E as meninas nos bares de strip tease
Sabem valsar Matilda
Você valsaria Matilda comigo?
Não preciso de tua simpatia
Os fugitivos dizem, que as ruas não são para sonhadores
Vozes vindas de matanças e fantasmas que vendem memórias
Todos eles querem fazer parte da vida, de qualquer maneira
Valsar Matilda
Você valsaria Matilda comigo?
Pode perguntar a qualquer marinheiro, ou ao carcereiro com as chaves
O velho em cadeira de rodas sabe
Que Matilda está no banco dos réus, ela matou mais de cem
E te segue, onde quer que você vá
Valsar Matilda
Você valsaria Matilda comigo?
Tudo o que tenho é uma mala rasgada, em um hotel qualquer
E uma ferida que nunca vai cicatrizar
Sem brilho ou evidência, o perfume está em mim
Em uma velha camisa, manchada com sangue e uísque
Então boa noite aos lixeiros
Boa noite aos vigias noturnos
E boa noite a Matilda também”











4 comentários:
Advinha o que estou ouvindo agora? hehehehe
Essa semana essa música fez parte do repertório relax do meu trabalho.
E sem esquecer dos elogios que está acostumado você traduz muito bem.
Minha musa eterna, teus gostos musicais sempre foram, e sempre serão, parte importante do porque sou infinitamente fascinado, encantado e apaixonado por você.
Bilhões de beijos safados.
Hey Ancião.
Só passei para visitar e mandar um alô/olá.
Que bom que visitou este pseudo-blog, cidadã headbanger. Espero que volte sempre.
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