Diogo me disse que tinha visto alguma entidade parada a seu lado, quando estava deitado meditando. Ou qualquer outra coisa assim. Mas tinha acontecido e era escabroso, ou, como ele mesmo definiu, “Me deu um susto do cacete!”.
Dali em frente a coisa não parou mais. Eu e minha musa, que já estamos acostumados a debater sobre esse tipo de assunto, nos calamos por já saber o que viria. Todos na mesa vieram a relatar, cada um, situações semelhantes que ocorreram em suas vidas. Assim, contos cheios de medo e assombro, e tão casuais como se cada contador fosse “escolhido” por ter tido a chance de contato tão improvável.
Mas uma pergunta que fiz deixou a coisa mais acalorada, quando virei para Diogo e perguntei “Se você é tão fascinado por situações dessas, quase como se esperasse que uma acontecesse bem do teu lado, você ficou com medo quando ela veio?”
Ora, meu amigo blogueiro é um leitor por excelência, e em seus alfarrábios já vi passar de metafísica a concretismo, de Maquiavel a Aleister Crowley. E tão fantásticas e intangíveis são suas poesias e escritos, que deixam pairar no ar a sua volta o quanto ele gosta de flertar com o etéreo, com o espiritual. E a razão de minha pergunta foi exatamente a isso. Por que ele ligou imediatamente a luz após se dar conta da presença a seu lado, ao invés de querer saber mais, fazer contato, trocar figurinhas, sei lá.
Ainda não tenho resposta pra isso.
Mas de pensar a respeito, vejo em toda parte que isso ocorre com freqüência. Bilhões de gentes passam a vida procurando um sinal qualquer, ou um semblante de que tem algo mais lá fora, fora do corpo, fora do ser palpável. E quando acontece, fazem de tudo disponível para quebrar o encanto único de ter uma fechadura na qual espiar o que há além.
São pessoas, como muitas, que vão a quaisquer religiões por crer fielmente (ao menos, suponho que creiam) na etérea e eterna condição de vida depois da morte. Que desejam saber se há inferno, céu, purgatório, Vallhala, Hi Brasil, Mahapralaya, paraíso ou restos psicografados de John Lennon. Que dariam tudo pra saber onde o Fido passará a eternidade, depois que ele já não latir mais.
São pessoas que estudam o lado científico desses fenômenos, assistem em canais de TV a cabo, procuram informativos e teorias, pois isso não deixa de ser também uma ciência, pra constatar o que tem lá, do outro lado dos flatlines.
São mais pessoas ainda que admiram filmes sobre espíritos, fantasmas, presenças, casas mal (ou muito bem, como diria meu amor) assombradas. Se deixam apaixonar pelo imaterial, pelo sobrenatural, em livros, séries, filmes, contos e, claro, casos contados em mesas de bar quando o papo de futebol e noitadas terminou.
Mas ainda que essas provas e experiências aconteçam o tempo todo e a quase todos, e tenhamos passado, sem sequer perceber, a praticamente desejá-las durante nossas vidas, fugimos delas no momento exato em que ocorrem conosco.
No entanto, talvez fosse muito mais prazeroso e instrutivo deixar que o contato se fizesse rolar. Tentar saber mais, conhecer mais, querer mais. Ninguém vai perder a vida por fazer isso (não, apesar do cinema não há casos comprovados sobre esse tipo de fatalidade), e tenho certeza quando digo que muitas pessoas prefeririam saber sobre o que as espera, ou saber de algum parente ou amigo ausente, gente que não volta mais, e ter a certeza de que pelo menos eles não foram completamente obliterados da continuidade do universo, como se algum deus com um liquid paper o tivesse limpado do registro.
Buda sabe quantas vezes tentei perguntar a Tonho alguma coisa, ainda que ele tenha (imagino) dificuldades em se comunicar melhor. Mas nossas tentativas dão frutos ocasionais, e não fujo delas. Ao contrário, gostaria que pudéssemos sentar e conversar e creio que seria, no mínimo, uma conversa sem qualquer chance de tédio para os dois lados.
Em suma, contudo, continuo sem conseguir entender porque tantos têm tantas chances de fazer um contato assim, tão ou mais importante que ver um óvni passando no céu, e ainda renegam sem pensar duas vezes.
Aliás, deixei Diogo naquela noite com a dúvida essencial sobre isso. O deixei com uma técnica simples de fazer acontecer.
E gosto de pensar que ele fará diferente, se tiver novamente a chance de ver um pouquinho do mundo, da vida, do universo, como ele é, em vez de negar que, como todos nós, sempre foi fascinado em saber realmente, ou ter pistas, ao menos, do que rodeia todos nós. Mesmo que façamos força contrária e falsa em querer saber.
Abração, Diogo Klock.
Essa foi pra você.











2 comentários:
Ola Caríssimo amigo,
Realmente...
depois daquele dia, passo todos os dias esperando a volta do meu ilustre visitante noturno. Mas não retornou, talvez tenha ficado tão assustado quanto eu, pela minha má recepção.
Espero ter outras oportunidades... Afinal, como vc diz, não é todo dia que temos a chance de abrir a porta alem e dar uma espiadinha...
rsrsrs
Mas lhe confesso que estou muito feliz, pois essa noite do dia 25 p/ 26 alguem muito estimado veio me visitar em um "sonho lucido", hoje (26/03) é meu aniversário e meu primo, (falecido a dois anos) foi quem veio me visitar, ele lembrou meu aniversário. já são quase nove da manha e ninguem mais lembro, estou no trabalho, e nada, nem no meu celular...
Não pela questão do "fazer aniversário"... mas pela questão de lembrar de mim.
Mas meu amado primo lembrou de mim.
Então felicidades ao meu primo Elton Corrêa, esteja aonde estiver.
Obrigado.
Abraços meu Caro,
Então parabéns a você, meu caro poeta boêmio, e vida longa em qualquer estado, seja ele material ou etéreo.
Feliz aniversário.
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